Série vinhos, cinema e gastronomia – Volver

Por Sommelière  Wine Khátia Martins

Começa hoje a Série vinhos, cinema e gastronomia, uma sequência de posts que une três grandes prazeres, extraindo dos mesmos as mais saborosas harmonizações. E para inaugurar a série escolhi o filme Volver.

quitutes raimunda Série vinhos, cinema e gastronomia   Volver

Essa é uma das obras de Pedro Almodóvar Caballero, um espanhol nascido em La Mancha, a mesma região do lendário Dom Quixote. Roteirista, compositor, ator e diretor, diga-se de passagem, o diretor espanhol mais famoso desde Luis Buñuel e Carlos Saura.

Suas obras falam de afeto. Diferentes formas de amor e de amar. São histórias vivas, de estilo único e encantador. E, certamente, o longa Volver, é um dos trabalhos mais sensíveis desse diretor.

No filme, a atriz Pénelope Cruz protagoniza Raimunda, uma jovem mãe trabalhadora e muito atraente que guarda um segredo de infância. Vive com um marido desempregado e uma filha adolescente. Em meio a uma crise financeira, Raimunda se vira em diversos empregos e no desenrolar da trama assume o comando de um restaurante, onde encontra a possibilidade de ganhar “um extra” com uma equipe de filmagem que visita sua pequena cidade.

As imagens são sedutoras, repleta de tomates vermelhos que logo despertam nossos sentidos, bem ao estilo “almodovariano”. E os pratos servidos por esta linda cozinheira são clássicos da Espanha.

Sendo assim, é impossível resistir a tantos prazeres: Almodóvar, cinema e gastronomia. O vinho fica por nossa conta. Confira as receitas, reserve o vinho, alugue o filme e boa harmonização!

Quitutes ibéricos de Raimunda

Tortilla de Patata

tortila Série vinhos, cinema e gastronomia   VolverNível de dificuldade: fácil
Rendimento: 6 porções
Tempo de preparo: 40 minutos

Ingredientes:
- ½ kg de Batatas pré-cozidas e cortadas em cubos grandes
- 1 Cebola grande cortada em cubos
- 8 Ovos
- 1 Copo de azeite ou óleo de girassol
- Sal e pimenta a gosto

Modo de preparo:
1. Em uma panela antiaderente aqueça o azeite ou óleo.
2. Despeje as batatas e deixe-as dourar. Adicione as cebolas e baixe o fogo.
3. Assim que ambas estiverem douradinhas acrescente os ovos e misture.
4. Tempere com sal e pimenta a gosto.
5. Tampe a panela.
6. Quando estiver cozida desligue o fogo e sirva.
7. A tortilla pode ser servida sozinha ou acompanhada de salada e carne.

Dica: Para dar um toque todo especial você pode acrescentar erva doce, tomilho ou alecrim. Fica uma delícia!

Vinhos para harmonizar

 Série vinhos, cinema e gastronomia   VolverToro Loco Tempranillo 2012 - Toro Loco é um vinho gostoso de beber. Diferente dos tradicionais tintos espanhóis, tem taninos macios e muita presença de fruta. É fácil de agradar, ideal para todos os momentos.

 Série vinhos, cinema e gastronomia   VolverLas Perdices Reserva Albariño 2011 - A uva albarinho é originária de Portugal, mas muito cultivada na Espanha onde é conhecida como albariño. O aroma deste vinho é sedutor e refrescante.

Pudim de leche

pudim Série vinhos, cinema e gastronomia   VolverNível de dificuldade: fácil
Rendimento: 6 porções
Tempo de preparo: em média 1 hora

Ingredientes para o pudim:
- 1 Lata de leite condensado
- A mesma medida de leite de vaca
- 3 Ovos inteiros

Para o caramelo:
- 1 Xícara de chá de açúcar
- 1/3 de Xícara de chá de água

Modo de preparo da calda:
1. Derreta o açúcar em uma frigideira. Quando chegar ao ponto de caramelo despeje a água e mexa até virar uma calda homogênea.

Modo de preparo do pudim:
1. Bata tudo no liquidificador
2. Coloque em forma untada com açúcar queimado e leve ao banho-maria por aproximadamente 40 minutos.

Vinhos para harmonizar

 Série vinhos, cinema e gastronomia   VolverFinca La Celia Late Harvest 2008 - Vinho doce natural, onde as uvas são pulverizadas com água para que a Botrytis se desenvolva. É complexo e elegante, em boca é untuoso e com final longo.

 Série vinhos, cinema e gastronomia   VolverChâteau Des Deux Lions Sainte Croix du Mont Branco – Este vinho é um branco doce de coloração dourada, aroma rico em mel, canela, damasco seco e de sabor intenso, macio e envolvente.

Curiosidade

Existe um restaurante em São Paulo que se chama Almodóvar! É pequeno, espanhol e tem decoração dramática e vibrante. Não é à toa que tem esse nome.

Tokaji Aszú – “O vinho dos reis e rei dos vinhos”

Por Sommelier Wine Lucas Cordeiro

vinho Tokaji Aszú   “O vinho dos reis e rei dos vinhos”

Longa é a estrada em que homens e vinhos caminham lado a lado, o bastante para ter dado origem a histórias fascinantes e tornar lendário os nomes de alguns vinhos. É o caso do Tokaji Aszú húngaro, que se estabeleceu em meados do século 17 como provavelmente o primeiro grande vinho doce do mundo, ao surpreender o clero e a nobreza europeia com seu sabor envolvente e único.

Seu estilo inigualável encantou o Papa Pio IV, que o recebeu de presente de um arcebispo húngaro durante o Concílio de Trento (1562), fato que pode ter sido impulso inicial para a ascensão deste vinho. Altamente apreciado pelos czares – especialmente da dinastia Romanov – pela corte polonesa e a casa real Austro-Húngara, era também presença certa nos banquetes das demais cortes europeias.

Fã deste vinho, o rei Luís XIV, da França, o declarou “vinho dos reis e rei dos vinhos”, frase emblemática que o acompanha desde então. Sua fama ultrapassou os limites da nobreza, e assim foi também fonte de inspiração para escritores como Voltaire, Rabelais e Goethe.

Como é produzido o vinho Tokaji Aszú

uvas colheita tardia Tokaji Aszú   “O vinho dos reis e rei dos vinhos”Mas esse pedigree todo tem sua razão de ser. O Tokaji é de fato um vinho diferenciado, e muito se explica pelo seu processo de produção. As uvas que o compõem – furmint, hárslevelü e muscat lunel – são colhidas tardias grão a grão, após atacadas pelo fungo Botrytis cinerea, que provoca a desidratação dos grãos e concentra açúcar e acidez.

Puttony Tokaji Aszú   “O vinho dos reis e rei dos vinhos”

Elas são transportadas para a vinícola em uma espécie de cesto de madeira, com capacidade de 25kg, chamado “puttonyo”, e lá chegando são adicionadas à proporção de três a seis puttonyos para cada 136 litros (capacidade da barrica local, o gönc) de um vinho base em fermentação, produzido com estas mesmas variedades de uvas.

Essa massa de uvas altamente concentrada em açucares armazenada no puttonyo é que dá o grau de doçura do vinho, quanto maior o número, mais doce e mais nobre o vinho. A rica doçura destes vinhos é equilibrada pela sua grande acidez, compondo um dos vinhos de mais longa maturação e longevidade do mundo.

Alguns vinhos Tokaj Aszú

Hoje, este vinho dos deuses não é mais privilégio dos nobres e abastados, está acessível a todos que o queiram desfrutar. E para quem quiser viver essa incrível experiência, seguem algumas indicações:

 Tokaji Aszú   “O vinho dos reis e rei dos vinhos”Tokaj Aszú Leonis Selection 3 Puttonyo 2006

Um vinho histórico de aroma e sabor sedutor. Seu perfume é rico e remete à frutas cristalizadas, damascos, mel e nuances de avelã. Em boca é doce, untuoso e cremoso.

 Tokaji Aszú   “O vinho dos reis e rei dos vinhos”

Tokaji Aszú 4 Puttonyos 2003

A vinícola Patricius elabora vinhos de qualidade desde o século XVIII. Este é um exemplar branco, doce e equilibrado pela boa acidez. Perfeito para acompanhar sobremesas à base de cremes.

 Tokaji Aszú   “O vinho dos reis e rei dos vinhos”Royal Tokaji Blue Label 5 Puttonyos 2007 500ml

Os aromas desse vinho recordam casca de laranja cristalizada, figo, menta e canela. É doce, untuoso e equilibrado. Um vinho para finalizar uma refeição especial.

 Tokaji Aszú   “O vinho dos reis e rei dos vinhos”Tokaji Aszú 6 Puttonyos 2000

Extremamente rico em aromas e sabores complexos a frutas secas, amêndoas torradas e botrytis. Em boca é cremoso, deliciosamente doce, concentrado e equilibrado. Com final longo.

Como limpar um decanter

Por  Sommelier Wine Renato Pujol

Quando degustamos um vinho, sempre pensamos no serviço da bebida e para isso existem vários acessórios que facilitam a nossa vida e também dão mais sofisticação ao momento. Um deles é o decanter, o utensílio mais charmoso no mundo do vinho.

DSC0196 Como limpar um decanter

Um objeto com formas imponentes utilizado para separar sedimentos de vinhos mais velhos ou sem filtração e também para respirar (oxigenar) os vinhos mais duros, aqueles que tem a sensação de adstringência causada pelos taninos e que ainda estão fechados nos aromas.

Mas depois de utilizar um decanter devemos tomar algumas precauções para limpá-lo, pois devido aos diferentes formatos não é algo simples de ser feito. O uso de detergentes e sabonetes, por exemplo, não é uma boa opção porque eles podem deixar resíduos no fundo do recipiente e será muito complicado retirá-los de lá.

Uma das melhores opções para limpar este acessório é enxaguá-lo com bastante água. E, se os resíduos de vinho não saírem, use uma mistura de gelo picado e sal grosso, que não deixará aromas impróprios.

Outra alternativa é colocar um pouco de bicarbonato de sódio no fundo do decanter e cobri-lo com água quente (sem fervura). Ao agitar o utensílio, os sedimentos vão se desfazendo e, para finalizar, basta enxaguar com bastante água.

Para secá-lo, vale investir em um pé apropriado que o manterá com o gargalo para baixo, evitando que a mineralidade da água manche o fundo e as paredes do objeto. Depois de seco, guarde-o com uma folha de papel toalha ou plástico filme no bocal para impedir a entrada de poeira.

Pronto, com essas dicas fica fácil e prático fazer a higienização correta do seu decanter! E para quem ainda não tem um, vale a pena conferir os modelos abaixo:

 Como limpar um decanterDecanter 750ml (Classico) - O decanter auxilia na sedimentação de borras de vinhos mais velhos como também na oxigenação de vinhos mais duros ou muito jovens, este modelo é um clássico e bastante conhecido pelas suas linhas simples.

 Como limpar um decanterDecantador(Pure) – Schott 750ml -  Com uma proposta de linhas simples e puras, este decanter possui também resistência para choques. Com medidas para servir meia garrafa, é prático para decantar vinhos mais envelhecidos com sedimentos.